• Linguagens, códigos e suas tecnologias

Questão 1



O texto transcrito logo acima, extraído de aulas de Biologia, poderia receber o seguinte título: A fagocitose. Do ponto de vista dos "personagens" que dele participam, traduz uma estrutura:

(A) descritiva.
(B) dissertativa.
(C) epistolar.
(D) argumentativa.
(E) narrativa.


Questão 2



A última fala registrada no presente cartum se apoia em um pensamento:

(A) sociológico.
(B) filosófico.
(C) psicanalítico.
(D) marxista.
(E) burguês.


Questão 3

Ainda na última fala do cartum, o instrumento gramatical ou revela, dentro do contexto verbal criado, uma ideia de:

(A) alternância.
(B) exclusão.
(C) adição.
(D) condição.
(E) causa.


Questão 4

Texto 3

TIRO AO ÁLVARO

De tanto levar “frechada” do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
“Tauba” de tiro ao “álvaro”
Não tem mais onde furar
 
Teu olhar mata mais do que
Bala de carabina
Que veneno estricnina
Que peixeira de baiano
 
Teu olhar mata mais do que
Atropelamento de “automóver”
Mata mais que bala de revólver
 
        Adoniran Barbosa
 
Um dos recursos expressivos desse texto – uma composição musical – consiste na valorização de uma escrita fonética, o que só não se confirma em:

(A) “frechada”.
(B) “tauba”.
(C) “álvaro”.
(D) “estricnina”.
(E) “automóver”.


Questão 5



“O bacana de computador é que ele trabalha quanto você quiser!” O uso do “você” na tirinha apresenta o mesmo valor semântico da sentença:

(A) Você é a mulher da minha vida.
(B) “Você” é um pronome de tratamento.
(C) Quando você vota, nem presta atenção nos candidatos.
(D) Você! Venha aqui agora.
(E) Você e eu nascemos um para o outro.


Questão 6

Texto 5

O DEUS DAS TRINCHEIRAS

      Dizem que na Primeira Guerra Mundial, durante as tréguas de Natal, de uma trincheira se podiam ouvir as comemorações na trincheira inimiga. Nos dois lados, cantavam hinos cristãos, e havia sermões e imprecações a Deus, que era o mesmo para os dois lados, mesmo que as religiões não fossem as mesmas. Os capelães militares sempre tiveram a dura tarefa de convencer as tropas e a si próprios de que o Deus a que rezavam lhes daria a vitória. Já que não podiam dizer que cada lado tinha o seu Deus e o deles era mais forte, inferiam que o Deus invocado era único, mas tinha seus gostos, e os preferia. Deus torcia por eles, não importava o que dissessem os capelães do inimigo.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. O Globo. 20 ago. 2009, p. 7.


São vários os recursos estilísticos que a língua possui. Os textos os usarão de acordo com a sua conveniência e as características do autor. No texto acima, verifica-se:

(A) a manifestação do humor através da fé em Deus.
(B) a repetição de “capelão” a fim de ratificar a informação religiosa.
(C) o uso excessivo de sujeito indeterminado, pois os agentes da ação são desconhecidos.
(D) O verbo “havia” no segundo período do texto para indicar a coloquialidade do autor.
(E) a despreocupação em contextualizar o texto no tempo.


Questão 7

O texto possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, conclui-se que:

(A) a expressão “dois lados” faz referência a termos que aparecem posteriormente no texto.
(B) a repetição de “mesmo”, no segundo período, tende a ser incentivada pelo ponto de vista de uma adequada coesão.
(C) “sempre” e “Os capelães sempre tiveram... “entram em paradoxo já que o texto refere-se ao período do Natal.
(D) O penúltimo período poderia, sem prejuízos semânticos, trazer a substituição de “Já que” por “Consoante”.
(E) “Deus torcia por eles” traz um pronome que pode servir como substituto para cada um dos lados da trincheira.


Questão 8

Texto 6

A DIFÍCIL ARTE DE SABER AMAR

      Se tudo fosse — “Eu te amo. Você me ama? Resposta: “Amo. Pronto! Seria simples. E foram felizes paro o resto da vida. Quando tal diálogo acontece e duas pessoas percebem que se amam, aí a dúvida e a confusão não terminam. Começam! Não está disposto na lei da vida que duas pessoas que se amam saibam amar. O normal é as duas não saberem. Raro é as duas saberem. O habitual é uma saber e aguentar o rojão pela outra. Saber! amar! Quanta gente prefere viver com alguém que sabe amar, mesmo que não o ame! Quanto amor pode brotar da relação com quem sabe amar! Quem sabe amar pode até realizar o milagre de acabar recebendo o amor de quem não o ama, ou ama e não sabe. Saber amar é conhecer o amor como forma de arte. O amor é apenas um sentimento, enquanto que saber amar é uma criação, visão estética do amor. Tanto é flor na hora certa, como presente fora de hora. Saber amar implica conhecer sabedorias que o amor não sabe, como esperar, deixar fluir, não invadir as dúvidas do outro, abafar nem impedir que a outra parte supere a fossa, a angústia ou a dor que a oprime. Quem ama desama junto. Quem sabe amar, por conhecer exata dos orgulhos que valorizam o amor, suporta tal sentimento, desde que seja passageiro, é claro. Quem ama, quando cansa, pode voltar a amar. Quem sabe amar, quando desliga, é para sempre. É mais fácil afrontar a quem ama do que a quem sabe amar. Este conhece tanto a importância do seu sentimento, que, quando o retira, machucado, incompreendido ou ferido de morte, é para sempre. Cuidado com quem ama! Mas cuidado maior com quem sabe amar! Quem perde um amor perde menos do que quem perde alguém que sabe amar. Saber amar é depender. Não é ser servil. Não é viver agradando, não é fazer o que o outro quer. Saber amar é ter as reações certas, de compreensão e crítica; é ocupar todo o seu lugar no espaço e no tempo do sentimento e da emoção do outro. Saber amar é até saber desistir. Saber amar é aquela parte que, partindo do amor, procura (até encontrar) a parte do outro que um dia saberá amar. E a encontrando tem paciência, afeto e tolerância. A menos que descubra que ela não merece. Porque saber amar é também ter a coragem das renúncias, bravura raramente em quem, apenas, ama.

Artur da Távola

Em uma sociedade letrada ,como a nossa, são construídos textos diversos para dar conta das necessidades cotidianas de comunicação. Assim, para utilizarmos algum gênero textual, é preciso que conheçamos bem seus elementos. O texto acima pertence ao gênero Artigo de opinião, bastante empregado na imprensa escrita. Conhecer o seu contexto de produção é também importante para que entendamos os objetivos do emissor do mesmo: escrito no jornal O Dia em 8 de dezembro de 1999, um jornal popular , de grande circulação, para leitores habituais. Dos objetivos comunicativos predominantes no texto, qual , relatado abaixo, não pode ser verificado?

(A) Manifestar ponto de vista de seu autor.
(B) Defender um ponto de vista e, de certa forma, formar opiniões.
(C) Convencer os leitores de que existe diferença entre “ amar” e “ saber amar”.
(D) Provar que “ saber amar” traz mais felicidade; já “ amar” pode causar mais sofrimento.
(E) Expressar os sentimentos do eu lírico : pessoa que amou e sofreu muito por conta disso.


Questão 9

Aponte a alternativa que apresenta o modo de organização discursiva predominante no texto em questão.

(A) Argumentação: o texto é estruturado todo em comparações entre essas duas atitudes distintas, estabelecendo relações de causa-consequência. Fica subentendido, no texto, que amar não é o ideal, mas saber amar sim.
(B) O texto é estruturado em pequenos versos irregulares, utilizando-se da linguagem poética a fim de convencer seu receptor do ponto de vista abordado.
(C) Narrativo-argumentativo: pelas falas dos personagens, há clara intenção de convencimento do leitor.
(D) Texto em que o autor manifesta seu ponto de vista sobre um determinado assunto através de experiências pessoais. A partir de um depoimento pessoal, o leitor é influenciado pelo emissor.
(E) Narrativo-descritivo: o eu-lírico narra a história de pessoas que amam e são amadas , descrevendo o comportamento usual de cada uma.


Questão 10

Alguns elementos de coesão devem ser utilizados para que um texto fique claro a seu leitor. Por exemplo, o uso do pronome demonstrativo tem essa função ao se referir a um elemento do texto sem repeti-lo.
Observe:

“Este conhece tanto a importância do seu sentimento...”

A quem se refere o pronome este no contexto supracitado?

(A) A “quem ama”.
(B) A “quem sabe amar”.
(C) A “quem afronta”.
(D) A “quem perde um amor”.
(E) A “quem é machucado”.


Questão 11

“Saber amar implica conhecer sabedorias que o amor não sabe”.

O verbo implicar pode ser empregado em alguns contextos. Perceberemos que sua transitividade e seu sentido vão ser alterados de acordo com a contextualização do mesmo. Que sentido o verbo implicar apresenta no fragmento acima?

(A) Tornar confuso,embaraçar o entendimento.
(B) Produzir como consequência.
(C) Tornar indispensável ou necessário.
(D) Originar, causar, produzir.
(E) Antipatizar, ter birra.


Questão 12

Texto 7

ELEGIA

Há coisas que a gente não sabe nunca o que fazer com elas...
Uma velhinha sozinha numa gare.
Um sapato preto perdido do seu par: símbolo
da mais absoluta viuvez.
As recordações das solteironas.
Essas gravatas de um mau gosto tocante
que nos dão as velhas tias.
As velhas tias.
Um novo parente que se descobre.
A palavra “quincúncio”.
Esses pensamentos que nos chegam de súbito nas ocasiões mais impróprias.
Um cachorro anônimo que resolve ir seguindo a gente pela madrugada na cidade deserta.
Este poema, este pobre poema
sem fim...

Mário Quintana


Vocabulário
Elegia - s.f.(a) Composição poética ou musical consagrada ao luto e a tristeza.
Gare - do francês, estação de estrada-de-ferro.

O eu-lírico estrutura seu poema através, principalmente, da (do):

(A) dialética.
(B) silogismo.
(C) exemplificação.
(D) gradação.
(E) sofisma.


Questão 13

Observando-se o título do poema, podemos relacioná-lo, diretamente, pelo campo semântico e pelo contexto às palavras (retiradas do poema):

(A) “triste” / “nunca”
(B) “viuvez” / “pobre”
(C) “velhas” / “pensamentos”
(D) “poema” / “anônimo”
(E) “pobre” / “mau”


Questão 14

Muitas poesias modernistas são repletas de coloquialismo e de traços de afetividade. Há exemplo de coloquialismo e traços de afetividade em quase todos os versos abaixo, exceto:

(A) “Há coisas que a gente não sabe nunca o que fazer com elas...”
(B) “As recordações das solteironas.”
(C) “Este poema, este pobre poema.”
(D) “Uma velhinha sozinha numa gare.”
(E) “A palavra “quincúncio”.”


Questão 15

Texto 8

O QUE É LITERATURA

      A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde veio. Os fatos que lhe deram às vezes origem perderam a realidade primitiva e adquiriram outra, graças à imaginação do artista. São agora fatos de outra natureza, diferentes dos fatos naturais objetivados pela ciência ou pela história ou pelo social.
      O artista cria ou recria um mundo de verdades que não são mensuráveis pelos mesmos padrões das verdades fatuais. Os fatos que manipulam não têm comparação com os da realidade concreta. São as verdades humanas gerais, que traduzem antes um sentimento de experiência, uma compreensão e um julgamento das coisas humanas, um sentido da vida, e que fornecem um retrato vivo e insinuante da vida, o qual sugere antes que esgota o quadro.
      A Literatura é, assim, vida, parte da vida, não se admitindo que possa haver conflito entre uma e outra. Através das obras literárias, tomamos contato com a vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os homens e lugares, porque são as verdades da mesma condição humana.

Afrânio Coutinho

De acordo com o entendimento do texto, pode-se inferir que:

(A) a literatura é imaginação, portanto, não corresponde à realidade.
(B) a função do tempo literário é mostrar a vida do criador da obra.
(C) o artista literário, no seu desejo de imaginação artística, termina recriando situações descontextualizadas com a realidade.
(D) não se pode dizer que literatura seja uma nova realidade.
(E) a literatura nasce da transfiguração da realidade que o artista faz.


Questão 16

      O artista cria ou recria um mundo de verdades que não são mensuráveis pelos mesmos padrões das verdades fatuais.

Marque a opção que não diz respeito diretamente à afirmação anterior.

(A) A Literatura é, assim, vida, parte da vida, não se admitindo possa haver conflito entre uma e outra.
(B) A Literatura proporciona a criação de fatos de outra natureza, diferentes dos fatos naturais objetivados pela ciência ou pela história ou pelo social.
(C) Literatura é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua.
(D) A Literatura, como toda arte, deve ser medida como qualquer outra realidade concreta, social, histórica ou científica.
(E) A Literatura passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde veio.


Questão 17

Na oração: “que fornecem um retrato vivo e insinuante da vida” (segundo parágrafo), a palavra “que” classifica-se, morfologicamente, como:

(A) pronome relativo.
(B) pronome demonstrativo.
(C) conjunção integrante.
(D) advérbio.
(E) preposição.


Questão 18

Texto 9

      Antigamente a vida era outra aqui neste lugar onde o rio, deixando o coração bater em pedras, dando areia, cobra d’água inocente, risos-líquidos, e indo ao mar, dividia o campo em que os filhos de portugueses e da escravatura pisaram.

      (....)

      Um dia essas terras foram cobertas de verde com carro de boi desafiando estradas de terra, gargantas de negros cantando samba duro, escavação de poços de água salobra, legumes e verduras enchendo caminhões, cobra alisando o mato, rede armadas nas águas. Aos domingos, jogo de futebol no campo do Paúra e bebedeira de vinho sob a luz das noites cheias.

      (....)

      Cidade de Deus deu a sua voz para as assombrações dos casarões abandonados, escasseou a fauna e a flora, remapeou Portugal Pequeno e renomeou o charco: Lá em cima, Lá na Frente, Lá Embaixo, Lá do Outro Lado do RIO e Os Apês.

      Ainda hoje, o céu azula e estrelece o mundo, as matas enverdecem a terra, as nuvens clareiam as vistas e o homem avermelhando o rio. Aqui agora uma favela, a neofavela de cimento, armada de becos-bocas, sinistros-silêncios, com gritos-desesperos no correr das vielas e na indecisão das encruzilhadas.

      Os novos moradores levaram lixo, latas, cães vira-latas, exus e pombagiras em guias intocáveis, dias para se ir à luta, o soco antigo para ser descontado, restos de raiva de tiros, noites para velar cadáveres,resquícios de enchentes, biroscas, feiras de quartas-feiras e as de domingos, vermes velhos em barrigas infantis, revólveres, orixás enroscados em pescoços, frango de despacho, samba de enredo e sincopado, jogo do bicho, fome, traição, mortes, jesus cristos em cordões arrebentados, forró quente para ser dançado, lamparina de azeite para iluminar o santo, fogareiros, pobreza para querer enriquecer, olhos para nunca ver, nunca dizer, nunca, olhos e peito para encarar a vida, despistar a morte, rejuvenecer a raiva, ensanguentar destinos, fazer a guerra e ser tatuado. Foram atiradeiras, revistas Sétimo Céu, panos de chão ultrapassados, ventres abertos, dentes cariados, catacumbas incrustradas nos cérebros, cemitérios clandestinos, peixeiros, padeiros, missa de sétimo dia, pau para matar a cobra e ser mostrado, a percepção do fato antes do ato, gonorreias malcuradas, as pernas para esperar ônibus, as mãos para o trabalho pesado, lápis para as escolas públicas, coragem para virar a esquina e a sorte para o jogo de azar. Levaram também as pipas, lombo para a polícia bater, moedas para jogar porrinha e força para tentar viver.Transportaram, também, o amor para dignificar a morte e fazer calar as horas mudas.

      Por dia, durante uma semana, chegavam de trinta a cinquenta mudanças do pessoal que trazia no rosto e nos móveis as marcas das enchentes. Estiveram alojados no estádio de futebol Mário Filho e vinham em caminhões estaduais cantando:

      Cidade maravilhosa
      cheia de encantos mil...

(Lins, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 1997)



A descrição, utilizada no quinto parágrafo, remete-nos a uma corrente literária que estabelece um nexo de causa e efeito entre alguns fatores sociológicos e biológicos e a conduta dos personagens.

Essa corrente é:

(A) o parnasianismo.
(B) o simbolismo.
(C) o realismo.
(D) o naturalismo.
(E) o romantismo.


Questão 19

      Ainda hoje, o céu azula e estrelece o mundo, as matas enverdecem a terra, as nuvens clareiam as vistas e o homem inova avermelhando o rio. (l.12-13)

Na passagem acima, o último elemento da sequência de verbos relacionados à cor e à luz apresenta, em relação aos anteriores, uma diferença quanto ao sentido. Essa diferença está relacionada à seguinte atitude do homem:

(A) equilíbrio
(B) submissão
(C) destruição
(D) renovação
(E) espiritualização


Questão 20

      Aqui agora uma favela, a neofavela de cimento, armada de becos-bocas, sinistros-silêncios, com gritos-desesperos (15-16)

Nessa passagem, o emprego dos artigos e dos elementos modificadores produz um certo efeito. Esse efeito pode ser descrito como:

(A) um recurso de transgressão da ordem direta da frase.
(B) uma crescente especificação do substantivo “favela”.
(C) uma progressiva ampliação dos marcadores adverbiais “Aqui agora”.
(D) uma acentuada valorização dos vocábulos compostos como “becos-bocas”.
(E) uma forma de abordar esse tipo de comunidade.


Questão 21

As enumerações presentes no quinto parágrafo compõem um painel da vida na Cidade de Deus. Essa composição está baseada, sobretudo, no seguinte procedimento narrativo:

(A) descrição de aspectos sociais da violência policial.
(B) justaposição de símbolos religiosos de origens diversas.
(C) referência a comportamentos próprios das grandes cidades.
(D) reunião de elementos díspares do cotidiano daquela comunidade.
(E) narração sobre personagens comuns tematizada pelo Realismo.


Questão 22

Texto 10

“Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!”
   (Casimiro de Abreu)


Texto 11

“Ai, que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais...
Me sentia rejeitada,
Tão feia, desajeitada,
Tão frágil, tola, impotente,
Apesar dos laranjais.”
   (Ruth Rocha)

Assinale a alternativa incorreta.

O texto 11 resgata e subverte o texto 10 por meio de :

(A) diferenças de ponto de vista entre o texto 11 e o texto 10, como, por exemplo, a infância, tematizada como o lugar da evasão para a felicidade, no texto I.
(B) semelhanças entre o texto 11 e o texto 10 , como, por exemplo, a interjeição seguida de um pronome indefinido e de um substantivo abstrato, abrindo as estrofes de ambos os textos.
(C) semelhanças entre o texto 11 e o texto 10, como, por exemplo, os versos 2 e 3 , que constituem o objeto indireto “de saudades”, preenchido com as mesmas figuras de “aurora” e de “infância querida”.
(D) diferenças entre o texto 11 e o texto 10, como, por exemplo, a expressão “saudades(...) da minha infância querida”, que, no texto 11, adquire uma conotação de ironia.
(E) diferenças entre o texto 11 e o texto 10 , como,por exemplo, na utilização de palavras apoéticas pelo texto 11.


Questão 23

Em ambos os textos, além da poética, há predomínio da função:

(A) referencial.
(B) emotiva.
(C) fática.
(D) apelativa.
(E) metalinguística.


Questão 24



A imagem anterior (texto 12), representa um mito grego. Assinale a transcrição de parte desse mito que pode ser associada a ela.

(A) Dédalo era ateniense de nascimento e tido por membro dos Erecteidas, uma vez que era filho de Métion, filho de Eupálamo, filho de Erecteu. Em termos de habilidades naturais, ele sobrepujava em muito todos os outros homens e dedicava-se à arte de edificações, à confecção de estátuas e ao trabalho da pedra.
(B) Quando Minos ficou sabendo que Teseu e seus companheiros tinham fugido, prendeu Dédalo, por ele culpado pelo ocorrido, no Labirinto, juntamente com seu filho Ícaro, que ele tivera de Naucrátis, escrava de Minos.
(C) Dédalo então confeccionou asas para ele e seu filho; quando este ia se pôr ao voo, ele o advertiu de que não voasse muito alto, por temer que a cola derretesse ao sol, desfazendo as asas, nem muito baixo junto ao mar, por temer que elas se desmanchassem devido à umidade.
(D) Mas Ícaro desconsiderou as instruções de seu pai e, orgulhoso, elevou-se sempre mais alto; ao derreter a cola, caiu ao mar, chamado de Icário por causa dele, e pereceu. Já Dédalo voou em segurança até Camico, na Sicília.
(E) Chamado à ilha de Dolique, Dédalo avistou o corpo de Ícaro lá deposto na praia, sepultou-o, dando à ilha o nome de Icária, ao invés de Dolique. Dédalo, por sua vez, confeccionou uma estátua em Pisa à semelhança de Héracles; este, certa noite, não a reconhecendo, tomou-a por pessoa viva e apedrejou-a.


Questão 25



O texto verbal que aparece nos dois balões da tirinha de Fernando Gonsales tem a função de:

(A) noticiar fatos.
(B) fornecer instruções.
(C) apresentar opiniões.
(D) divulgar produtos.
(E) expor conceitos.


Questão 26

O instrumento gramatical que sugere a função primordial do texto verbal é o emprego dos verbos no(a):

(A) indicativo.
(B) subjuntivo.
(C) imperativo.
(D) forma nominal.
(E) infinitivo.


Questão 27

Texto 14

      “É muito inteligente pagar R$ 12 por adolescente num projeto de aprendizagem do que R$ 1.700 na Febem. Se não for por ética, é preciso romper com o sistema de exclusão social por economia.”
Viviane Senna


O texto acima, de Viviane Senna, sugere que:

(A) ética e inteligência são inconciliáveis, quando se trata de exclusão social.
(B) bastaria a ética, mas aspectos financeiros podem ajudar a convencer da necessidade de agir contra a exclusão social.
(C) diminuir gastos com a punição de adolescentes elimina a exclusão social.
(D) controlar os custos envolvidos é prioridade, quando o assunto é exclusão social.
(E) os projetos educacionais da Febem são caros quando comparados aos oferecidos por outras instituições educativas.


Questão 28

Texto 15

QUERIDO JOSÉ

      Escrevo-te estas poucas linhas para recordar o passado entre nós dois. José desde aquele dia em que me encontrei com você na Praça Tiradentes e depois você não veio mais falar comigo, eu fiquei muito triste mas não deixei de pensar em ti, (...) peço que venha falar comigo, que daí nós se acertamos, eu quero ser feliz com você, é triste a gente andar como cigana, jogada de um canto a outro, estarei morta para teu coração? (...) sou tua na expressão da verdade.
Maria

P.S Tenho certeza que desculpas a minha letra, bem sabes que sou quase analfabeta. A mesma.
Dalton Trevisan


No contexto da carta, o uso de certas expressões como “Escrevo-te estas poucas linhas, estarei morta para teu coração?”, “sou tua na expressão da verdade”, “A mesma” quer dizer que o personagem:

(A) acredita estar usando linguagem culta, adequada ao gênero das cartas.
(B) utiliza a linguagem acadêmica, típica das cartas de amor, para dissimular seus sentimentos.
(C) usa linguagem terna e carinhosa para enganar o namorado.
(D) quer aproximar a língua escrita da língua falada.
(E) escreve de forma irônica a fim de ridicularizar José.


Questão 29

Em “bem sabes que sou quase analfabeta.”, há uma declaração que, em nome da verossimilhança, conduz o autor, pela boca do narrador, insinuar a cultura oral da personagem, o que não se justifica no(a):

(A) uso da ênclise em “escrevo-te”.
(B) mistura de tratamento.
(C) uso da construção “nós se acertamos”.
(D) tratamento a gente em “é triste a gente andar”.
(E) valorização do chavão linguístico das classes mais desfavorecidas em “desculpas a minha letra”.


Questão 30

Texto 16

O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA

      “Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei nós temos, que não atende), é que (...)”
José Saramago


Pode-se afirmar que há nesse fragmento:

(A) uma metáfora, que valoriza a democracia como a melhor forma de se manter o poder.
(B) uma ironia, que mostra uma tendência de se usar o poder político em benefício próprio.
(C) uma contradição, que revela os principais traços do sistema monárquico.
(D) uma fábula, que mostra o rei como alguém amoral que sempre queria receber favores.
(E) uma analogia, que coloca a casa do rei como um palácio sempre aberto, acessível.


Questão 31



Observe a tira e assinale a alternativa correta:

(A) No último quadrinho, as expressões faciais da mãe e da menina revelam, respectivamente, surpresa e fúria.
(B) O humor do texto é gerado pelo fato de a menina empregar o verbo viver em duas acepções.
(C) Há revolta da garota contra a aceitação, por parte da mãe, do papel subalterno reservado à mulher na sociedade contemporânea.
(D) A forma verbal vivesse traz a informação implícita de que a garota considera que a mãe não vive de fato.
(E) Os três primeiros quadrinhos mostram as tarefas que, naquele dia, a mãe de Mafalda terá pela frente: passar roupas, arrumar a sala, lavar a louça.


Questão 32

O discurso de Mafalda, personagem dos quadrinhos, revela essencialmente:

(A) ética.
(B) justiça social.
(C) visão assistencialista.
(D) participação cidadã.
(E) conformismo.


Questão 33

Texto 18

PARA ISSO HAVIA VINDO DO CEARÁ

      Bem-Te-Vi morreu há quase dois anos, mas, no momento mesmo em que foi morto, nem bem o carregavam como um fardo, já ia rumo ao esquecimento. Reis são mortos e postos a toda hora na Rocinha.
      Naquele dia, ia vistoriar seus postos de comércio cercado por 12 seguranças, sua guarda pretoriana, mas não sabia que, no caminho, policiais com 4 mil munições estocadas numa quitinete esperavam por ele.
      Ninguém os havia visto entrar sorrateiros na cidadela, atravessando as vielas.       Para isso, havia vindo do Ceará. Para parar diante da quitinete às duas e tantas da madrugada daquele exato sábado, com seu cabelo pintado de vermelho, sua pistola Glock, seus 28 anos e a certeza de ter vencido na vida.
      Quem lhe pôs o apelido de Bem-Te-Vi não pensou no alçapão. E o apelido deve ter sido posto antes de ele virar bandido, porque bandido não tem apelido, tem codinome, e não ficaria bem a um bandido ser chamado como passarinho. Pelo menos, não ao bandido que se sabia o mais procurado pela polícia, e que com seu celular se fotografou sorrindo, de peito nu, empunhando uma Uzi dourada. Àquele melhor caberia chamar-se Gavião.
      Erismar, como havia sido batizado no começo de tudo, quando ainda não era possível – ou era? – prever sua trajetória, chegou ao Rio aos 11 anos e aos 14 entrou para o tráfico. Os jovens que estão transformando as periferias de Paris em campo de batalha, incendiando carros e destruindo escolas, devem ter aproximadamente a mesma idade.
       Sim, é claro, os jovens franceses que a França abriga tão a contragosto, vindos das antigas colônias ou filhos de emigrantes, estão defendendo a sua cidadania, o seu direito à igualdade. Os jovens sempre descarregam em guerras o excesso de testosterona, e as causas nobres sempre justificam a guerra.
      Um traficante não luta por causas nobres. Um traficante, quando distribui presentes à comunidade e faz assistencialismo, não é, à moda de Robin Hood, para redistribuir renda, mas para garantir conivência. Um traficante é uma variante de mercenário, faz guerra pelo butim e pela possibilidade, ainda que pequena, de vir um dia a ser chefe, com armas douradas, guarda de corpo e três mulheres.
      Mas, na sociedade do eu, que estimula a satisfação dos desejos e se esmera em multiplicálos, na sociedade midiática em que 15 minutos de fama são meta mais recomendável do que uma digna vida obscura, na nossa sociedade que, após ter falsamente horizontalizado os bens e as marcas se volta agora para o luxo mais desenfreado e exclusivo, o dinheiro pode ser considerado uma causa suficientemente nobre para fazer- se soldado.
      O reinado de Bem-Te-Vi não durou nem dois anos. O de Soul, seu sucessor, durou apenas dois dias. Ambos haviam acompanhado seu chefe, Lulu, e o haviam visto ser morto pela polícia. Ambos sabiam que só teriam 15 minutos pela frente. Mas achavam que valia a pena. E, nas favelas deste país, que só fazem crescer, há cada vez mais jovens pensando dessa maneira.

(Marina Colasanti – Jornal do Brasil, Caderno B – 6 de novembro de 2005, com adaptações)



O título do texto sugere:

(A) valorização desmedida.
(B) ironia amarga.
(C) respeito reverencial.
(D) admiração incondicional.
(E) desconfiança infundada.


Questão 34

A afirmativa “Reis são mortos e postos a toda hora na Rocinha” encontra exemplificação no segmento:

(A) “...bandido não tem apelido, tem codinome, e não ficaria bem a um bandido ser chamado como passarinho.”
(B) “Pelo menos, não ao bandido que se sabia o mais procurado pela polícia, e que com seu celular se fotografou sorrindo, de peito nu, empunhando uma Uzi dourada.”
(C) “Quem lhe pôs o apelido de Bem-Te-Vi não pensou no alçapão. E o apelido deve ter sido posto antes de ele virar bandido, porque bandido não tem apelido...”
(D) “Um traficante não luta por causas nobres. Um traficante, quando distribui presentes à comunidade e faz assistencialismo, não é, à moda de Robin Hood...”
(E) “O reinado de Bem-Te-Vi não durou nem dois anos. O de Soul, seu sucessor, durou apenas dois dias. Ambos haviam acompanhado seu chefe, Lulu, e o haviam visto ser morto pela polícia.”


Questão 35

“Quem lhe pôs o apelido de Bem-Te-Vi não pensou no alçapão” – de acordo com o contexto, a palavra em destaque remete ao segmento:

(A) “...policiais com 4 mil munições estocadas numa quitinete esperavam por ele.”
(B) “e que com seu celular se fotografou sorrindo, de peito nu...”
(C) “...Os jovens que estão transformando as periferias de Paris em campo de batalha, incendiando carros e destruindo escolas...”
(D) “...o dinheiro pode ser considerado uma causa suficientemente nobre para fazer-se soldado.”
(E) “E, nas favelas deste país, que só fazem crescer, há cada vez mais jovens pensando dessa maneira.”


Questão 36

O último parágrafo do texto em questão tem uma estrutura:

(A) dialética.
(B) indutiva.
(C) dedutiva.
(D) epistolar.
(E) argumentativa.


Questão 37

Texto 19

SOLIBAR

Sei dos pingos da goteira
Batucando no passado
E sei que as cinzas da fogueira
Não recomporão os galhos
Dia sim e dia não
Dói a minha solidão
Eu tô ficando aperreado

São trinta copos de chopp
São trinta homens sentados
Trezentos desejos presos
Trinta mil sonhos frustrados
No bar “Savoy” na Sertã
No “Luna” bar no Leblon
Vejo a tristeza do gado

           Alceu Valença

São interpretações possíveis para o texto acima, EXCETO:

(A) O título relaciona solidão a bar, representando que o eu-lírico, mesmo em lugares de confraternização, sente-se só e percebe a solidão a sua volta.
(B) A primeira estrofe representa que o passado não há como ser recomposto e isto, associado à solidão, angustia o eu-lírico.
(C) O eu-lírico mostra que, só através do álcool, do apoio dos amigos de bar, consegue satisfazer-se, anulando a solidão e a angústia.
(D) A gradação (trinta, trezentos e trinta mil) representa que o problema da angústia, da solidão, não tem solução, que ele se amplia, ao invés de ser solucionado.
(E) O eu-lírico busca relacionar um mundo citadino a uma linguagem mais regional, mais coloquial a fim de tornar seu texto mais espontâneo.


Questão 38

Mesmo considerando que o texto de Alceu Valença seja atual, podemos encontrar elementos que nos remetem ao Modernismo. Quase todas as alternativas abaixo apresentam características modernistas presentes na letra de música, EXCETO:

(A) o uso de neologismo, como no título “solibar”.
(B) a preocupação com o emocional do ser humano.
(C) a representação de um fato cotidiano.
(D) o uso de linguagem coloquial / regional.
(E) a rejeição à estética do passado.


Questão 39

Qual das alternativas abaixo melhor explica a palavra em destaque no verso: “Eu tô ficando aperreado”?

(A) Tratado como cão.
(B) Reprimido; sujeito a.
(C) Subordinado.
(D) Que vive com dificuldades.
(E) Atormentado.


Questão 40

Texto 20

INSEGURANÇA E MEDO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

      A questão teórica dos escritos do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, recai especialmente sob o aspecto da insegurança e indeterminação, que, na compreensão do autor, são marcas dos tempos atuais.
      Essa temática é recorrente na maioria de suas obras. Segundo Bauman, em nossa época extremamente carente de certezas, proteção e segurança, os medos são muitos e indissociáveis da vida humana. Tememos a violência urbana, as catástrofes naturais, o desemprego, as epidemias, o terrorismo, a exclusão. Como consequência disso, buscamos incansavelmente a atualização profissional e o acúmulo de conhecimento, nos fechamos em nossas casas cada vez mais equipadas com sofisticados sistemas de segurança, mas nem por isso capazes de nos propiciar alívio e conforto diante de nossos temores; dirigimos carros blindados, evitamos espaços públicos e o contato com estranhos, os quais nos parecem cada vez mais ameaçadores e aterrorizantes. Para o autor as esperanças de um maior controle e domínio sobre o mundo social e natural depositadas nos tempos modernos se esvaíram. No ambiente líquido-moderno, as incertezas, perigos e ameaças são uma constante. Em Medo Líquido, Bauman faz um inventário dos medos que assombram os indivíduos na modernidade líquida, buscando encontrar suas origens comuns e, ainda, propiciar um diálogo e reflexão que permitam aplacar os anseios dos nossos tempos.
(Najla Franco Frattari)


O título do texto 20 anuncia que o assunto a ser tratado refere-se a um momento específico da história da humanidade, a contemporaneidade. Numa das alternativas, há uma sequência que sugere os motivos de nsso temor. Assinale-a:

(A) “A questão teórica recai especialmente sob o aspecto da insegurança e indeterminação, que na compreensão do autor são marcas dos tempos atuais.”
(B) “Essa temática é recorrente na maioria de suas obras. Segundo Bauman, em nossa época extremamente carente de certezas, proteção e segurança, os medos são muitos e indissociáveis da vida humana.”
(C) “Tememos a violência urbana, as catástrofes naturais, o desemprego, as epidemias, o terrorismo, a exclusão.”
(D) “...buscando encontrar suas origens comuns e, ainda, propiciar um diálogo e reflexão que permitam aplacar os anseios dos nossos tempos.”
(E) “Para o autor, as esperanças de um maior controle e domínio sobre o mundo social e natural depositadas nos tempos modernos se esvaíram.”


Questão 41

Texto 21

CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade


A ideia de que o medo nem sempre foi uma constante a ser cantada nos versos do poeta pode ser percebida na seguinte passagem do texto:

(A) “Provisoriamente não cantaremos o amor...”
(B) “Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços...”
(C) “não cantaremos o ódio, porque este não existe...”
(D) “Depois morreremos de medo...”
(E) “cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,”.


Questão 42

Texto 22

ADOLESCENTE

A vida é tão bela que chega a dar medo.

Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas
esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz
o jovem felino seguir para frente varejando o vento
ao sair, à primeira vez, da gruta.

Medo que ofusca: luz!

Cumplicemente,
as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo:

Adolescente, olha! A vida é nova...
A vida é nova e anda nua
-Vestida apenas com o teu desejo!
(Mário Quintana) ( 1906/ 1994).


No poema, existem elementos que contribuem para a coesão textual. A alternativa que apresenta o elemento de coesão textual destacado responsável pela construção da ideia de medo diferente da apresentada pelo texto 21 é:

(A) “A vida é tão bela que chega a dar medo”.
(B) “Não o medo que paralisa e gela, estátua súbita, mas esse medo fascinante...”
(C) “Medo que ofusca: luz!”
(D) “A vida é nova e anda nua”
(E) “o jovem felino seguir para frente varejando o vento.”


Questão 43



Os elementos não verbais estão carregados de valor semântico. O elemento presente na charge que justifica o medo do homem em ser contagiado pelo vírus da gripe A é:

(A) o oxigênio da roupa.
(B) os olhos assustados do homem.
(C) a roupa pesada do homem.
(D) a gotícula que sai do nariz da mulher.
(E) a boca exageradamente aberta.


Questão 44

Texto 24

A RAZÃO DOMINADA PELA FORMOSURA

Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas:
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projeto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo:
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.

Fonte: BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Sonetos.
Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Garnier, 1994, p. 31


Um dos mais importantes poetas do Arcadismo português, Bocage é, no entanto, considerado um autor pré-Romântico. No poema, uma característica que explica por que ele é visto como um precursor do Romantismo é a

(A) entrega do eu-lírico à paixão amorosa, que o leva a questionar o domínio da Razão.
(B) opção pela forma clássica do soneto, que atesta a busca do eu-lírico por objetividade e contenção.
(C) citação do nome da amada, que explicita a homenagem do eu-lírico a uma mulher idealizada.
(D) confissão do eu-lírico diretamente dirigida a uma figura mitológica, que ilustra sua adesão a valores clássicos.
(E) racionalidade do eu-lírico, que se nega a ceder aos impulsos amorosos e recorre à reflexão.


Questão 45

Há, em dado verso, a comprovação de que a linguagem do soneto caminha para um tom hiperbólico, comum aos textos que já anunciam seu quê Romântico. Assinale-o:

(A) “Deixa-me apreciar minha loucura,”
(B) “Cesse a ríspida voz que em vão murmura;”
(C) “Nem domas, nem contrastas, nem mitigas:”
(D) “Queres que fuja de Marília bela,”
(E) “É carpir, delirar, morrer por ela.”





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